domingo, 12 de fevereiro de 2017

A ‘Virgen Blanca’ de Toledo: sublime união de almas
entre a Santíssima Virgem e Jesus Menino

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A primeira impressão que me causa essa imagem é a de um extraordinário relacionamento de alma entre Nossa Senhora e o Menino Jesus.

Ela exprime um destes momentos de familiaridade entre mãe e filho em que Ela brinca com o Filho.

Se esse relacionamento nunca admitisse um sorriso, não haveria verdadeiro convívio entre mãe e filho.

Por que razão?

Porque o menino tem qualquer coisa de débil que pede um sorriso.

Do contrário, estabelecer-se-ia uma barreira entre os dois, tornando impossível um dos modos mais elevados de comunicação espiritual.

Uma certa brincadeira entre Mãe e Filho converge neste ponto: a alma d’Ele sente-se misericordiosa e benignamente atendida naquilo que possui de mais débil; e a alma d’Ela manifesta-se mais delicada, afável e flexível em relação a Ele.

É um dos mais belos aspectos do estado de alma materno.

Quando se considera Nossa Senhora brincando com o Deus do Credo, Aquele que Ela sabe ser a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que assumiu a natureza humana, podemos compreender o auge de veneração presente nesse convívio e o quanto esse sorriso é autêntico e não disfarçado.

Isso revela, a par da grandeza infinita, uma sublimidade, afabilidade e bondade que nos deixam desconcertados.

O sorriso nas relações entre mãe-filho apresenta-se muitas vezes de modo prosaico. Mas nesta imagem, pelo contrário, é nobilíssimo.

Mãe e Filho não perdem nada de sua dignidade.

Outro aspecto a ser ressaltado nessa escultura — que, a meu ver, é muito superior às estátuas gregas clássicas: Ela enquanto rainha, envergando uma coroa e tendo um príncipe nas mãos.

Uma obra-prima de castidade, porque desse relacionamento só almas castas são capazes.

Uma alma não muito casta não é capaz desse sorriso e o relacionamento transforma-se em vulgaridade.

Observem como Nossa Senhora, ao mesmo tempo em que olha para o Menino Deus, medita a respeito d’Ele.

Porque compete mais a Ela admirá-Lo do que Ele em relação à sua Mãe.

Qualquer pessoa se ajoelharia diante desta cena!


(Excertos de conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 26 de novembro de 1967. Sem revisão do autor).



Sobre a imagem


A “Virgen Blanca” é uma escultura gótica de origem francesa.

Calcula-se que foi feita no século XIV mas há quem defende que foi um presente do rei São Luis IX da França a seu primo o rei São Fernando III de Castela, no século XIII.

Desde sempre está instalada no coro da catedral de Toledo, sobre o “altar de prima” onde se oficiava a missa na hora de despontar o sol.

“La Virgen Blanca” está entalhada em precioso alabastro branco recoberta com policromia dourada.

No período românico foi comum representar Nossa Senhora sentada, mas no período gótico se generalizaram as imagens da Mãe de Deus segurando o Menino Jesus em pé.

É o caso da famosíssima imagem de Nossa Senhora de Paris em sua catedral na capital francesa.

Numerosos testemunhos históricos falam de imagens trazidas da França com Nossa Senhora em pé segurando o Menino Jesus em seus braços, realizadas em mármore branco.

Entre essas se destacam varias feitas em marfim.

Essas esculturas promoveram a assimilação d arte gótica na Espanha.

Seu tamanho é pouco menor que o natural: 153 cm. A coroa, o cabelo e as franjas das vestimentas estão pintados com ouro. A cor dos rostos deve-se à pátina do tempo.

A imagem permanece sem retoques nem rupturas desde que chegou da França.




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domingo, 29 de janeiro de 2017

As aparições do Arcanjo no Mont Saint-Michel, França

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Segundo as crônicas, no ano 708 o Arcanjo São Miguel apareceu duas vezes a Santo Aubert –– Bispo de Avranches, cidade situada no fundo da baía — ordenando-lhe que erguesse uma capela em sua honra no rochedo que então se chamava Monte Tumba (ou Túmulo).

Inseguro quanto à realidade da visão, o bispo protelou a construção da capela.

Apareceu-lhe então pela terceira vez São Miguel, tocando-lhe a cabeça com o dedo, de tal modo que Aubert não pôde mais duvidar.

Esse sinal ficou marcado indelevelmente no crânio do santo, durante muito tempo exposto no tesouro da basílica de São Gervásio, de Avranches.

Há exatos 1300 anos, em 16 de outubro de 709, Santo Aubert consagrou ali a primeira igreja em honra do Arcanjo, e o monte tomou a partir de então o nome do Chefe da Milícia Celeste.

Durante a Idade Média, o Monte São Miguel tornou-se um dos mais importantes centros de peregrinação, ao lado de Roma e de Santiago de Compostela.

Os penitentes tomavam o “caminho do Paraíso” em busca do auxílio do Arcanjo.





Wilson Gabriel da Silva



Cânticos gregorianos para a festa de São Miguel Arcanjo:


Introito “Benedicite Domino"

Laudate Deo omnes Angeli

Stetit angelus (Alleluia)

Benedicite omnes angeli (Comunhão)








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domingo, 15 de janeiro de 2017

A alegria e a paz da festa da Assunção de Nossa Senhora
generalizou-se na Idade Média


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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A festa da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria é celebrada no 15 de agosto. É uma das mais cheias de alegria, paz e pureza, sendo por isso muito repelida por Satanás e seus asseclas que preferem a aflição, a desordem e a impureza

Sabemos pela Tradição Apostólica ‒ isto é, o conjunto de ensinamentos orais transmitidos originariamente pelos Apóstolos e, depois deles, pelos seus discípulos ‒ que Nossa Senhora não teve uma morte como a dos homens concebidos no pecado original. Fala-se por isso de Dormição de Nossa Senhora.

Ela ocorreu entre 3 e 15 anos após a Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Segundo a maioria dos testemunhos e opiniões aconteceu em Jerusalém, mas segundo outros em Éfeso.

Os Apóstolos foram reunidos miraculosamente em torno da Mãe de Deus naquela ocasião.

Ainda segundo a tradição, o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo teria aparecido em corpo glorioso para levá-la aos Céus.

Distingue-se a Ascensão de Nosso Senhor (em que Jesus Cristo subiu aos Céus pelo seu poder infinito) e a Assunção de Nossa Senhora (em que a Virgem foi levada ao Céu pelo poder de Nosso Senhor).

Inúmeros documentos de Doutores e Padres da Igreja dos primeiros séculos nos falam desta subida aos Céus.

Entre eles podem ser citados como exemplo: São João Damasceno, São Gregório de Tours, São Jerônimo e Santo Agostinho.

Muitos outros santos e concílios nos confirmam nessa mesma certeza.

Após uma iniciativa do Concílio de Calcedônia (451) junto ao imperador Marciano e a imperatriz Pulcheria, o túmulo de Nossa Senhora foi aberto e achado vazio.

Recolhendo a tradição milenar inconteste e universalmente professada, o S. S.Padre Pio XII proclamou solenemente que a Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma aos Céus é dogma e deve ser crida como verdade de Fé revelada.

Proclamou esta verdade infalível, em grande cerimônia da Praça de São Pedro (foto), onde leu a Bula Munificentissimus Deus, do 1º de novembro de 1950.

É portanto, um dogma infalível e dos mais gloriosos da Igreja.

A parte central da proclamação do dogma reza:

“A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.

A festa da Assunção era comemorada já pelo ano 500 na Palestina e foi logo praticada pelos monges de Ocidente que adotaram os costumes e as regras dos monges de Oriente, especialmente os de Egito que seguiam a regra de São Pacômio.

Maurício, imperador de Bizâncio, foi o primeiro a dispor que fosse celebrada no dia 15 de agosto.

No Ocidente as mais antigas referências a esta devoção vem da Gália (França).

Mas, no tempo do Papa Sérgio I (700) já era uma das principais festividades religiosas de Roma.

Estas eram marcadas pela procissão que partia da igreja de Santo Adriano.

A devoção à Assunção ficou reconforta pelas revelações de santos medievais como Santa Elisabeth de Schönau (+ 1165), São Bertrand, O.C. (+ 1170), e Santa Brígida da Suécia (Revel, VI, l).

Tendo sido solidamente estabelecida na Idade Média, a festa foi incluída no Ritual Romano e, a partir de ali, estendeu ao mundo todo.



Cânticos gregorianos para a festa da Assunção:

Clique aqui para ouvir o Introito “Signum Magnum:


Clique aqui para ouvir o Gradual Audi, Filia


Clique aqui para ouvir Assumpta est (Alleluia)


Clique aqui para ouvir Beata me dicent (Comunhão)






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domingo, 25 de dezembro de 2016

O menino que dava seu pão ao Menino Jesus


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Vivia na cidade de Veneza um homem muito rico. Sua grande fortuna lhe permitia uma vida de luxo e comodidades, mas ele estava entristecido, sem poder desfrutar nada, pois todos os seus filhos morriam.

Tinha o coração triste, e nada o podia consolar. Com satisfação trocaria todas as suas riquezas pelos filhos, embora ficasse na miséria, mas com eles.

Um único filho pequeno lhe restava. Amedrontado com a ideia de perder também aquele, confiou-o ao abade de um mosteiro, convencido de que só a intervenção divina poderia conservar-lhe a vida.

O menino cresceu no mosteiro, em meio à dedicação de todos os monges, que gostavam dele e o atendiam.

Sempre alegre, percorria os claustros ou brincava nos jardins, onde admirava as flores ou comia os frutos que colhia. Ele era o único menino ali.

Um dia, enquanto tomava sua merenda, entrou pela primeira vez na igreja, impressionando-se com a suntuosidade.

Ficou admirando com grande curiosidade a imagem da Virgem, que tinha nos braços o Menino Jesus, e alegrou-se por encontrar ali outro menino como ele.

Parecendo-lhe que o menino devia também ter fome, sem ter o que comer, subiu ao altar e ofereceu sua merenda ao Menino Jesus.

Durante muitos dias continuou levando o seu pão, do qual separava a melhor parte para dá-la ao Menino Jesus. Ao cabo de um mês, o Filho da Virgem lhe disse:

— Não comerei mais do teu pão, se não quiseres ir comer comigo e com meu Pai celestial.

O menino ficou muito preocupado com essas palavras, e sem saber o que fazer para ir comer com o Menino Jesus.

Não havia dito nada aos monges, e resolveu contar ao abade o que tinha feito nos dias precedentes, e que o Menino da Virgem agora se recusava a comer, até que ele o acompanhasse ao Céu.

O abade pediu-lhe que o deixasse ir em sua companhia, quando fosse atender ao convite celestial, e que fizesse esse pedido ao Menino seu amigo.

Naquela mesma tarde reuniu todos os monges e pediu que escolhessem seu sucessor, porque deixaria o cargo.

Todos estranharam aquela decisão e a lamentaram, pois ele desempenhava muito bem a função, e todos o amavam. Mas não se atreveram a perguntar-lhe a causa.

À noite todos se recolheram, como de costume, e ao clarear o dia o abade e o menino se sentiram doentes. A doença se agravou, o médico foi chamado e diagnosticou em ambos a mesma doença, que era grave.

No mesmo dia morreram, com um sorriso nos lábios e banhados numa luz celestial, declarando aos monges que atendiam ao chamado para o banquete divino.

(Fonte: V. Garcia de Diego, "Antología de Leyendas de la Literatura Universal - Labor, Madri, 1953)


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