domingo, 25 de setembro de 2016

São Bento de Núrsia, Patriarca dos Monges do Ocidente – 1

São Bento, Subiaco.
São Bento, Subiaco.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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“GLÓRIA NÃO SÓ DA ITÁLIA, MAS DE TODA A IGREJA, QUAL ASTRO ESPLENDOROSO IRRADIA SUA LUZ REFULGENTE EM MEIO ÀS TREVAS DA NOITE”

(PIO XII, CARTA ENCÍCLICA EM COMEMORAÇÃO DO XIV CENTENÁRIO DA MORTE DO PATRIARCA DE MONTECASINO, 1947, APUD DOM GARCIA M. COLOMBAS, SAN BENITO, SU VIDA Y SU OBRA, BIBLIOTECA DE AUTORES CRISTIANOS, MADRI, 1968, PRÓLOGO, P. XIII. SEGUIMOS PRINCIPALMENTE ESSA OBRA PARA A ELABORAÇÃO DESTE ARTIGO, CITANDO O NÚMERO DA PÁGINA E O LOCAL EM QUE SE ENCONTRA A CITAÇÃO.).

Dom Prosper Guéranger (1805-1875), restaurador e abade do priorado beneditino de Solesmes, na França, assim exclama a respeito de São Bento:

“Com que veneração devemos nos acercar hoje deste homem de quem São Gregório Magno escreve que ‘esteve cheio do espírito de todos os justos!’. [...]

“Estes rasgos sobrenaturais [de São Bento] encontram-se realizados por doce majestade, grave severidade e misericordiosa caridade, que brilham em cada uma das páginas de sua biografia escrita por um de seus discípulos, o Papa São Gregório Magno, que se encarregou de transmitir à posteridade tudo o que Deus havia Se dignado realizar em seu servo Bento”.

Com efeito, continua o abade de Solesmes, foi ele quem “por meio de seus filhos [...] levantou as ruínas da sociedade romana, esmagada pelos bárbaros; quem presidiu ao estabelecimento do direito público e privado das nações que surgiram depois da conquista [...] quem, enfim, salvou o tesouro das letras e das artes do naufrágio que ia devorá-las para sempre e deixar a raça humana sumida nas trevas” (El Año Liturgico, Editorial Aldecoa, Burgos, 1956, vol. II, pp. 885-887).

Sobre essa missão única de São Bento, realizada pessoalmente e através de seus discípulos na formação da Idade Média, a doce primavera da Fé, acrescenta outro beneditino:

“O patriarca presidiu ao nascimento da cristandade medieval quando, em um tempo de profundas transformações, os mosteiros beneditinos, onde quer se estabelecessem, constituíram lares de vida cristã, a par de influentes núcleos de civilização e cultura. [...]

“São Bento influiu poderosamente nos novos povos, inoculando-lhes algo de seu amor à ordem e ao trabalho, de seu sentido de vida em comum, de seu espírito de disciplina e colaboração, desse cristianismo autêntico e sobretudo profundo, que constitui as próprias entranhas da instituição beneditina” (Dom Garcia M. Colombas, San Benito, Su Vida, Su Regla. Prologo, Biblioteca de Autores Cristianos, Madri, 1968, p.xiii).

As “grandes invasões”

São Bento, igreja de Santo Agostinho, Salamanca.
O século em que viveu São Bento foi “uma época difícil, de decadência, de desagregação e de confusão; em pleno período daqueles ingentes movimentos de povos mal chamados ‘as grandes invasões’.

“A Itália, empobrecida, despovoada e desmoralizada [...] estava vendo, desde os princípios daquele nefasto século V, o cúmulo de suas calamidades com as sucessivas invasões de diversos povos bárbaros” (Dom Colombas, op.cit., Introducción General, p. 49).

Infelizmente, a situação na Igreja não era menos grave, pois, com a morte do Papa Anastácio II em 498, houve um cisma que durou três anos, durante o qual disputavam o trono pontifício o verdadeiro Papa Símaco e o antipapa Lourenço.

“Varão de vida venerável”

São Gregório Magno assim principia seu livro sobre o Patriarca do Ocidente:

“Houve um varão de vida venerável, bento por graça e por nome, dotado desde sua mais tenra infância de uma cordura de ancião.

“Com efeito, antecipando-se por seus costumes à idade, jamais entregou seu espírito a qualquer prazer, mas, estando ainda na Terra e podendo gozar livremente dos bens temporais, desprezou o mundo com suas flores, como se estivessem murchas” (Livro II dos “Diálogos”, Introdução, in op.cit. p.173).

São Bento nasceu em Núrsia, Itália, provavelmente pelo ano 480 de nossa era. Nada sabemos sobre seus pais, exceto que deveriam ser pessoas abastadas.

O Santo tinha uma irmã, Escolástica, também santa, a quem amava ternamente e a cujo lado quis ser enterrado.

Bento era ainda jovem quando Teodorico, o Grande (454-526), rei dos ostrogodos – um dos muitos bárbaros que invadiram a Itália –, tendo dominado Roma, procurou fazê-la reflorescer.

Com valiosos colaboradores, restaurou monumentos antigos, erigiu outros novos, e governou com sabedoria, reerguendo assim a decaída nobreza romana e dando a todos um período de paz e tranquilidade em meio a tantas catástrofes.

Primeiro milagre

Escrevendo sobre Roma em 413, São Jerônimo afirma que ela detinha a palma de todos os vícios. Isso não havia mudado um século depois.

Razão pela qual Bento resolveu deixar casa, bens paternos e estudos, a fim de procurar um lugar em que pudesse servir melhor a Deus.

Acompanhado de sua governante, que não quis separar-se dele, retirou-se então para Efide, modesta aldeia nas montanhas de Sabina.

São Bento ressuscita um jovem monge falecido, Luca Signorelli, Monte Olivetto Maggiore.
São Bento ressuscita um jovem monge falecido, Luca Signorelli, Monte Olivetto Maggiore.
Foi aí que ele operou seu primeiro milagre, reconstituindo uma jarra de barro quebrada por sua governante, que lamentava em prantos seu estabanamento por tê-la deixado cair no chão.

Para fugir à popularidade que se seguiu, Bento retirou-se, desta vez só, para as montanhas de Subíaco. Nesse lugar inóspito encontrou um monge de um mosteiro vizinho, Romão, que lhe conferiu o hábito monástico.

O mesmo encarregou-se de sua alimentação, fazendo chegar à sua gruta, por meio de uma corda, a provisão diária de pão, que pegava em seu mosteiro.

Nesse isolamento, desconhecido de todos, exceto de Romão, Bento entregou-se à direção do Espírito Santo, que foi o seu verdadeiro guia espiritual e mestre de noviços.

Ele, entretanto, não estava só, pois o pai da mentira aparecia para provar o novo discípulo de Cristo.

E tentou-o uma vez tão fortemente contra a virtude da pureza, que Bento se lançou entre urtigas e espinhos para que a dor fizesse calar os ardores da carne. A partir de então, não sentiu jamais as solicitações da luxúria.

O cálice que se parte

A partir do momento em que Bento foi descoberto por caçadores, começaram a surgir seus primeiros discípulos, que levando como ele vida solitária, se reuniram em torno de sua cova.

Os monges de um mosteiro vizinho forçaram-no depois a ser seu abade. Mas logo se arrependeram, pois o novo superior os fazia andar estritamente no caminho da observância monástica e do dever.

Quiseram então envenená-lo, mas ele, abençoando o cálice em que com o vinho estava a peçonha, o mesmo se partiu. O santo voltou então para sua cova.

(Autor: Plinio Maria Solimeo, in CATOLICISMO, julho 2016).


Continua no próximo post: São Bento de Núrsia, Patriarca dos Monges do Ocidente – 2



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domingo, 11 de setembro de 2016

O jogral da Virgem: milagre lendário no santuário de Rocamador

O santuário de Rocamadour encravado na pedra
O santuário de Rocamadour encravado na pedra
Luis Dufaur
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Muitos peregrinos, vindos dos mais remotos confins da Cristandade, iam à romaria do Santuário de Nossa Senhora de Rocamador.

Era gente de toda espécie, desde mendigos ou empestados até fidalgos e grandes dignitários da Igreja.

Freqüentemente misturavam-se àquela turba alguns indivíduos aloucados, galhofeiros ou poetas, que tanto entoavam uma canção, acompanhando-a com qualquer instrumento, como embasbacavam o povo com malabarismos e trabalhos de saltimbancos.

Interior do santuário de Rocamadour
Interior do santuário de Rocamadour
Singlar era um desses. Jovem, espalhafatoso, tagarela, mas de caráter doce, excelente no uso dos instrumentos musicais e dulcíssimo no cantar.

Alto poeta, encontrava sempre, no momento exato, a palavra mais viva, mais colorida e musical para dizer as coisas. Além disso, era devoto fiel da Virgem, e por isso fora a Rocamador.

Rezou diante da imagem. Sabia, porém, que jamais poderia, com orações, dizer-lhe os sentimentos que transbordavam de seu coração.

Uma canção subia-lhe à flor dos lábios, e as pontas de seus dedos formigavam nervosamente, desejosos do instrumento. Não pôde conter-se: apanhou o alaúde e cantou uma loa suave e ingênua.

Afresco medieval no exterior do santuário
Afresco medieval no exterior do santuário
O jogral estava emocionado, enlevado, e prostrou-se diante da imagem.

Nela, os olhos e as pedrarias do traje fulguravam.

— Senhora — disse-lhe o cantor — estais vendo que eu canto para vós com todo o meu coração. Desejaria saber se meus louvores são recebidos com agrado.

O santuário estava cheio de gente, naquele momento.

Todas as pessoas puderam ver um dos círios, saindo do candelabro em que estava colocado, descer até junto do poeta.

Houve um coro de exclamações. Gente corria de todos os cantos, para colocar-se ao lado do jovem:

— Milagre! Milagre!

Depressa chegou a notícia à clausura dos monges, que desceram todos para a igreja.

Os demais ajoelharam-se, confundidos com o povo que elevava fervorosas preces a Nossa Senhora.

Fazendo aquele prodígio, como prêmio ao canto ingênuo e sincero de um simples jogral, acabava Ela de dar a toda aquela gente uma lição de humildade.

Só um homem permanecia em pé. Fez caminho entre os que estavam ajoelhados, e colocando-se diante do jogral, disse, em voz muito alta:

— Não vos deixeis enganar! Aqui não houve milagre! Acreditais que a Rainha dos Céus desperdiçaria suas graças numa tolice como esta? Levantai-vos! Não houve milagre, e sim mistificação deste velhaco, ou talvez sortilégio, arte do diabo.

A antiquíssima imagem
A antiquíssima imagem
Primeiro os monges, depois os peregrinos, foram pondo-se todos de pé, e depois afastando-se cautelosamente, um pouco encabulados, como que tomados de vergonha.

Muitos procuravam lugar atrás das colunas ou em algum canto pouco iluminado. Entretanto, ninguém saiu do templo.

Por sua vez, Singlar ali continuava, ajoelhado diante da Virgem. Na frente dele, repreendendo-o, um monge tornara a colocar o círio no candelabro.

Os pescoços esticavam-se, gente se punha em pontas de pés.

Todos os olhos estavam fixos no jogral, que pela segunda vez tirava notas dulcíssimas do alaúde e tornava a improvisar um cântico de louvor.

O círio tornou a descer para junto do poeta.

Gritos atroadores do monge retiveram a meio caminho as pessoas que se apressavam para o altar:

— Não vos aproximeis! Isto é obra de bruxaria! Este homem é um mágico que veio afrontar Nossa Senhora! Tem pacto com Satanás!

Em vão Singlar negava, os olhos cheios de lágrimas:

— Senhora, não me abandoneis!

O monge tinha apanhado o círio, e retinha-o com força entre as mãos, enquanto dizia:

— Estrela Matutina, Torre de Davi, Mãe do Salvador, não permitas que ante tua imagem o inferno possa agir como deseja!

A canção de Singlar entrava como alfinetadas de gozo no coração de todos. Subia, retilínea, pura, clara, até a Virgem de Rocamador...

O círio deu um salto, e das mãos do monge foi ter à mão direita do jogral.

Mesmo aquele monge tombou de joelhos.

Um "Ave!" espontâneo, vibrante, maravilhoso, brotou de todas as gargantas.

Vista noturna do santuário de Rocamadour
Vista noturna do santuário de Rocamadour

(Maravilhas do conto popular - Cultrix, SP, 1960)


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domingo, 28 de agosto de 2016

A peste, a fita de Nossa Senhora e o milagre

A peste era um flagelo contra o qual a medicina ainda não tinha encontrado remédio.
A peste era um flagelo contra o qual a medicina ainda não tinha encontrado remédio.
Luis Dufaur
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Com os progressos da medicina moderna, não temos ideia do pavor que despertava antigamente a palavra peste.

O conhecimento do que são as bactérias causadoras da peste, como se propagam e como podem ser combatidas era praticamente nulo, e saber que a peste começou numa cidade era de apavorar.

No ano de 1008, na cidade de Valenciennes, norte da França, o pavor tinha razão de ser, pois em poucos dias morreram cerca de 8.000 pessoas!

Saber que a morte está por perto, sempre torna as pessoas mais religiosas.

Além disso, na França, as pessoas dessa época eram real e sinceramente religiosas. Por isso nada estranha que elas se tenham voltado ao Céu para pedir que as protegesse da peste mortal.

Havia perto da cidade um eremita de nome Bertelain, o qual também pediu à Virgem proteção para os habitantes.

Nossa Senhora apareceu-lhe, e disse que faria um grande milagre visível para todos, na noite de 7 de setembro.

Nossa Senhora de Valenciennes
O eremita percorreu a cidade, contando o fato, e na data marcada a população encheu as muralhas, torres e lugares mais elevados.

Nessa noite, efetivamente, no meio de uma grande luz bem visível para todos os habitantes, Nossa Senhora caminhou em redor da cidade, deixando cair no trajeto uma fita vermelha.

Não se pense que foi coisa de um instante, ou que Nossa Senhora percorreu poucos metros. Foram nada menos que 14 quilômetros, e a cidade inteira assistiu ao fato.

A ponto de, ao contrário de outras aparições, nas quais as fontes históricas são poucas, todas as crônicas da cidade e da época falam do ocorrido, como sendo de notoriedade pública.

Mais ainda, a fita se guardou num relicário na cidade durante muitos séculos, até que durante a Revolução Francesa foi queimada!

Pois os revolucionários não querem saber de provas: com elas ou sem elas, seu ódio é igual contra Deus, a Virgem e a verdadeira Igreja.

Uma procissão e o milagre

Nossa Senhora fez saber ao eremita o significado dessa fita:

Ela queria que no dia seguinte, festa de sua Natividade, fosse feita uma procissão seguindo o percurso da fita, e com isso acabaria a peste. E se a procissão fosse repetida a cada ano, Ela protegeria a cidade de outras pestes semelhantes.

No dia seguinte, efetivamente, a procissão foi realizada por toda a população da cidade, e a peste cessou. Até o dia de hoje se faz a procissão, conduzindo uma imagem representando Nossa Senhora que deixa cair uma fita.

Nossa Senhora de ValenciennesFaz parte da procissão uma confraria medieval chamada Raiados de Nossa Senhora do Santo Cordão.

Essa denominação é devida ao fato de que seu traje (raiado) tem listas azuis e brancas.

Qual era a população da cidade na época? Pergunta nada fácil de responder, dado que não havia os censos regulares de hoje.

Há algum tempo a população está estabilizada em torno de 40.000 habitantes.

Mas é difícil calcular quantos eram no século XI.

Em todo caso, para levantar uma cifra, suponhamos que a peste tenha matado metade da população. Isso faria com que ainda houvesse 8.000 pessoas vivas para ver a Virgem. É muita gente!

Por que isso acontecia antes, e não nos dias de hoje.

Para entender o motivo, devemos primeiro observar que o milagre está intimamente relacionado com a fé. Um milagre costuma ser um prêmio pela fé com que se acredita ou se rezou, ou então é feito para fortalecer a fé.

Os milagres não ocorrem por motivos banais, pois o mesmo Deus que opera o milagre é o que fez as leis da natureza, das quais o milagre é uma suspensão.

E seria contrário à sabedoria estabelecer leis que podem ou devem ser suspensas a todo momento.

Nossa Senhora faz milagres tendo como meta tornar as pessoas melhores, e não os praticaria para que seus filhos se tornassem piores.

Pensemos um momento no que aconteceria se na cidade onde moramos houvesse o mesmo que em Valenciennes: Nossa Senhora aparece no céu e todos a veem.

Nossa Senhora de ValenciennesPassado um primeiro momento de encanto, logo teria que haver uma melhora significativa na fé e na moral.

Quantas pessoas estariam dispostas, em nossa cidade atual, a deixar seu modo de vida afastado de Deus ou contrário a Ele, e passar a viver religiosamente?

Mais ainda, quantos estariam dispostos a abandonar seus vícios morais e reformar seriamente sua vida?

Não haveria o perigo de, pelo contrário, as pessoas se revoltarem por ter que deixar seus roubos, mentiras, invejas, televisão imoral, modas indecentes?

Quem recebe um milagre e não muda, fica pior do que era antes. Para que fiquem piores, Nossa Senhora certamente não vai aparecer...

O que nos leva a meditar quão longe estamos da feliz Valenciennes medieval em que, por sua fé e virtudes, as pessoas mereceram ver a Virgem.

Peçamos a Ela que realize em breve sua promessa do triunfo do Imaculado Coração, para assim podermos viver numa civilização realmente cristã.


(Fonte: Valdis Grinsteins, “Catolicismo”, setembro de 2006).


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domingo, 14 de agosto de 2016

Nossa Senhora de Bermont; devoção de Santa Joana d'Arc

Santa Joana d'Arc. Miniatura do século XV.
Santa Joana d'Arc. Miniatura do século XV.
Luis Dufaur
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A história de Santa Joana d’Arc é muito conhecida. No auge da decadência da França no século XV, Deus decidiu salvar essa nação filha primogênita da Igreja. E para que ficasse muito claro que era o poder de Deus que fazia isso, e não o poder dos homens, usou como instrumento uma moça, Joana d’Arc.

Ela conseguiu o que parecia impossível: coroar o rei da França na catedral de Reims, e que os ingleses fossem expulsos do país.

Convinha para os planos de Deus que fosse uma jovem, não um cavaleiro, e igualmente que ela fosse uma jovem simples.

Joana era pastora em uma cidadezinha simpática, mas minúscula — Domremy.

A casa onde ela nasceu está ao lado da igreja, e a basílica de Domremy — construída em fins do século XIX no local onde apareciam a ela São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida — que dista dois quilômetros de sua casa, parece enorme em relação à pequena população local.

Leia a gloriosa epopeia e a história do processo e da glorificação de Santa Joana d'Arco

domingo, 31 de julho de 2016

Hino “Este é o verdadeiro mártir”

A palma do martírio: símbolo dos mártires
A palma do martírio: símbolo dos mártires
Luis Dufaur
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Hino:


Este é o verdadeiro mártir


Este é o verdadeiro mártir, /
que derramou seu sangue pelo nome de Cristo, /
que não teve medo das ameaças dos juízes /
e não procurou o prestígio social, /
e assim conquistou o reino celeste.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mariazell "A cela de Maria", o santuário mais visitado da Europa Central


Luis Dufaur
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Uma pequena cela de um monge, transformada em monumental basílica, é hoje o santuário mais visitado da Europa Central. Peregrinos recorrem à milagrosa imagem de Nossa Senhora desse santuário da Áustria.

Foi no ano de 1157 que o abade Otker, do mosteiro beneditino de São Lamberto, enviou Magno, um de seus monges, para pregar num dos rincões de sua vasta jurisdição. Magno preparou-se para a missão. Havia ainda naquelas longínquas plagas muitos pagãos, ao longo dos sombrios vales entre altas montanhas. Magno temia o desamparo, uma vez em missão.

Surgindo dificuldades, com quem se aconselharia? A quem pediria socorro? Por isso levou, com licença superior, uma pequena imagem de Nossa Senhora, talhada em madeira de tília.

O milagre de Mariazell

Aproximando-se o Natal, dirigiu-se Magno a um povoado, onde desejava pregar "aos que viviam em cego paganismo" e dar também assistência espiritual aos cristãos. A aldeia ficava mais longe do que ele pensava. Viajava o santo religioso vários dias, sem viva alma encontrar.

Estaria perdido? O rumo que havia tomado era correto? Seus mantimentos chegavam ao fim. Impossível retornar ao ponto de partida, onde deixara conhecidos. Não havia estradas nem caminhos batidos, naquele tempo. Numa senda pedregosa escurecida pela floresta, íngreme subida estreita e perigosa.